Nova exposição no MASP destaca coletivo chileno durante a ditadura
O Colectivo Acciones de Arte marcou a produção artística sul-americana ao propor um diálogo com a paisagem urbana

Por André Sollitto
Fundado em 1979, o Colectivo Acciones de Arte (CADA) foi um dos grupos artísticos mais engajados do Chile no período da ditadura militar. O grupo formado pelos artistas Lotty Rosenfeld (1943–2020) e Juan Castillo (1952–2025), pela escritora Diamela Eltit (1949), pelo poeta Raúl Zurita (1950) e pelo sociólogo Fernando Balcells (1950) fez intervenções na paisagem urbana em que denunciavam os abusos cometidos pelo regime e tornou-se referência ao propor a interação das obras com a participação popular. Agora, o trabalho do coletivo é tema de uma nova exposição que entra em cartaz no dia 2 de abril no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.
Até o dia 2 de agosto, a mostra Colectivo Acciones de Arte: democracia radical, que tem curadoria de André Mesquita, curador, MASP, apresenta fotografias, filmes, documentos, publicações, desenhos e cartazes de oito ações de arte.
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A mais conhecida delas é NO+ (“não mais”), de 1983, em que o coletivo espalhou cartazes com os dizeres “NO +” que deveriam ser completados pelas pessoas. Dessa iniciativa surgiram mensagens como “NO+ muerte” (“Não mais morte”), “NO+ hambre” (“Não mais fome”), entre outras. “O slogan NO+ consolidou-se como uma expressão de militância na América Latina, sendo apropriado em intervenções urbanas e manifestações em diferentes contextos políticos”, afirma Mesquita em material de divulgação.

“NO +”, de 1983, é uma das ações mais conhecidas do grupo, em que a população interagia com a frase “não mais” (Foto Divulgação)
A mostra reúne também outros trabalhos fundamentais, como ¡Ay Sudamérica!, de 1981, em que seis aviões sobrevoaram bairros de Santiago distribuindo mais de 400 mil panfletos com a ideia de que qualquer pessoa era uma artista em potencial.
As obras ficarão expostas no quarto andar do Edifício Pietro Maria Bardi, o anexo inaugurado pelo Masp em 2025. Um catálogo digital bilíngue, com imagens da exposição e textos críticos do CADA, do curador André Mesquita e de outros autores convidados, será publicado para acompanhar o período expositivo.
Colectivo Acciones de Arte: democracia radical integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón e Silät, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero.



