Dior de Jonathan Anderson enlaça fantasia, reverência ao passado e desejo atual

A estreia na linha feminina cativou com magia e grandiosidade, mas sem perder de vista as necessidades do vestuário contemporâneo

Reprodução Instagram

O diretor criativo Jonathan Anderson, que estreou no masculino da Dior em junho, com uma coleção elegante e rebelde de retomada do visual clássico francês, debutou no feminino no dia 1 de outubro, em Paris, com uma proposta similar. A Dior, uma das principais marcas representantes do ideal de moda francesa de luxo, estava um pouco afastada desta imagem nos anos em que esteve sob comando criativo de Maria Grazia Chiuri.

 

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Assim como no desfile masculino, apareceram aqui referências a jaquetas militares e fraques franceses do século 18, com destaque para os chapéus exagerados usados por quase todas as modelos. A clássica Bar Jacket, criada por Christian Dior, surgiu reduzida, com a linha da cintura suspensa até abaixo dos seios – quase uma cintura império -, combinada à saia curta pregueada.

 

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Inclusive, muitas das saias foram apresentadas em versão curta, de jeans tradicional lavado, couro, estampa floral ou tons pastel. Este é um truque trabalhado constantemente: peças mais elaboradas e estruturadas, como a Bar Jacket encurtada ou sua versão no comprimento tradicional, arrematada por fitas de seda e recortes frontais, são combinadas a itens mais básicos, facilmente assimiláveis.

 

A proposta, enfim, é comunicar com a elegância pela qual a Dior é conhecida, mas sem grandes complicações. Ao contrário, com sutileza e atualidade. Além das saias, camisas azuis de botão, capas de tricô e crochê e calças jeans fazem essa função de facilitar, romantizar e modernizar o visual.

 

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As dobraduras do clássico modelo Delft de 1948, trabalhadas na apresentação masculina em grandes bermudas cargo, deram forma, neste desfile, a minissaias, vestidos e trench-coats. O New Look, a silhueta apresentada por Christian Dior desde 1947, é inovada em vestidos de seda com dobraduras de tecido na parte inferior – quase como um mosaico -, ou em vestidos drapeados de seda e algodão exageradamente volumosos.

 

Assumir uma casa como a Dior e atualizá-la – com relevância – não é tarefa fácil. Jonathan Anderson, ao considerar o histórico da maison e torcê-lo, aqui e ali, com modernidade e com o leve estranhamento pelo qual é conhecido, impulsiona a marca em uma direção que, ainda que seja própria, é similar a de John Galliano quando esteve na mesma função.

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A direção do risco criativo: elemento frequentemente apontado pela crítica como escasso durante os anos de Maria Grazia Chiuri. Do antecessor Galliano, inclusive, ele pegou a referência dos chapéus; de Maria Grazia Chiuri, as transparências; e de Yves Saint Laurent, a linha A em casacos. Reverenciar o passado criando fantasia e desejo comercial é uma fórmula que Jonathan Anderson mostrou – mais uma vez – dominar bem.

 

Por Thiago Andrill 

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