Bottega Veneta repagina seu luxo silencioso com novo desfile

Agora sob comando da diretora criativa Louise Trotter, a grife valoriza a herança manual e explora novos territórios sensoriais

Foto: Divulgação

Sob novo comando criativo, a Bottega Veneta desfilou sua mais recente coleção em Milão, no dia 27 de setembro. No geral, a imagem repaginada da tradicional marca italiana, feita pela estreante diretora Louise Trotter — que já passou pela Carven e pela Lacoste —, foi bem recebida. A diretora conseguiu equilibrar o direcionamento comercial dos produtos ao apelo mais inovador que paira no ar da semana de moda. 

 

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Sua capacidade de associar vendas a novas propostas ficou mais do que evidente na estreia na Bottega Veneta. As texturas são o ponto-chave da coleção, com destaque não apenas ao clássico intrecciato — trabalho manual icônico da grife com faixas de couro entrelaçadas —, mas também às plumas, aos tecidos desfiados e, finalmente, às franjas de acrílico em jaquetas, saias e tops. O efeito deste último recurso é glamuroso, futurista e sedutor aos olhos.

 

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Os ombros de paletós e trench-coats são exagerados, alinhados ao clima dos anos 1980 da temporada, e pareados com saias e calças de alfaiataria elegantes. Há também um elemento escultural: vestidos de algodão ganham volume arredondado, como ondas do mar ou brincadeiras de gesso, graças a estruturas internas.

 

A silhueta é folgada, dá espaço de conforto ao corpo, e parece convidar quem mal pode esperar a chegada das peças às lojas. Além dos casacos e blazers com ombros ampliados, algumas camisas sociais são combinadas com bermudas e há também vestidos balonês. Das propostas mais do dia a dia às de festa, as peças valorizam praticidade e elegância. 

 

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Louise Trotter, a única mulher a comandar a direção criativa de uma grife do grupo Kering, do qual a Bottega faz parte, soube escutar o silêncio luxuoso pelo qual a marca é conhecida. Porém, destaca-se por também conseguir atualizá-lo com estímulos sensoriais que de quietos – ou, a essa altura, enfadonhos – não têm nada.

 

Por Thiago Andrill

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