Dia dos Pais: roupas, acessórios e estilo que passam de geração em geração
O afeto entre pais e filhos é transmitido de muitas formas; conheça o laço entre Arnaldo e André Danemberg

Muito pode ser passado de pai para filho. Ensinamentos, comportamentos, exemplos, e a lista levaria uma vida inteira para ser completa. Apesar da transmissão, cada pessoa é única, independente de onde veio e para onde vai. Porém, na mochila dá para carregar lembranças de família e reforços, ou afagos, de quem está com a gente e também de quem se é. Algumas vezes, tudo isso é materializado: ganha volume e forma no relógio do pai agora no próprio punho, ou naquela gravata que ele sempre usava. Quem sabe até na camisa do time de coração da família?
Seja qual for a partilha, a forma como uma pessoa se veste pode ser influenciada pelo estilo, posicionamento e presença paterna. Essa relação está mais presente no nosso imaginário quando se fala da herança de mãe para filha, mas os homens também são capazes de transmitir afeto pela linguagem do vestuário. A família Danemberg é prova disso.
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Aos olhos do pesquisador, professor e antiquarista André Danemberg, seu pai, Arnaldo Danemberg, com quem partilha o mesmo ofício, sempre foi elegante. “Tanto no ambiente profissional quanto familiar ele prezou e preza por estar bem-vestido”, afirma. “Meu pai é o contrário daquela ideia do homem que não se preocupa com a vestimenta. Isso foi algo que me inspirou muito.”
Roupas e acessórios algumas vezes são passados de avós para pais, e depois para filhos que, um dia, também podem se tornar pais – esse é o caso de André, que tem a pequena Nicole, de 2 anos. O item cuidado pelo portador da vez marca a história de uma família. Eventualmente, não é nem um objeto em si, mas uma cor favorita ou um jeito de vestir em comum.
Os Danembergs possuem um estilo clássico, prezam por tons mais neutros, cortes mais retos, alfaiataria por vezes mais relaxada, porém elegante, e não são dados a muita estamparia. “Eu me visto como meu pai se vestia quando ele tinha a minha idade”, analisa André. “Outro dia, até comprei uma camisa jeans, tirei uma foto e falei para minha irmã: ‘Nossa, eu estou que nem o nosso pai nos anos 90’”, brinca.

Foto: Acervo Pessoal
“Eu lembro dele usando camisa jeans quando era mais jovem. Acho muito bacana, porque é elegante, mas também um pouco mais casual. É uma memória que ficou na minha cabeça.” Outra lembrança que se faz muito presente é a dos sapatos mais clássicos, muitas vezes pretos, que herdou de Arnaldo. Os dois calçam praticamente o mesmo número — já as roupas foram pouco compartilhadas, já que o pai tem 1,90m e o filho 1,75m.
“Tenho alguns sapatos da Ferragamo, Gucci e Church’s. Eu aprecio bons couros italianos, ingleses e suíços. Ele também acha bacana, embora use outros mais jovens, com camurça, por exemplo”, diz Arnaldo Danemberg sobre o filho. “Acho que eu nunca tive que me preocupar em comprar sapato”, brinca André. O pai confessa que, às vezes, fica meio “ressabiado” se vai acertar no presente, no caso de um item novo.
Outros acessórios comumente compartilhados são os anéis. Arnaldo é fã deles, André também aprecia, apesar de usar menos. “Ele tem um anel lindo de uma água marinha que eu dei de presente, de ouro branco”, conta o pai. Relógios foram passados ao longo da vida. “E gravatas também! Eu sou de uma geração que usa pouco, mas não preciso me preocupar na hora de comprar, porque ele sempre me passa”, conta o filho.

Foto: Acervo Pessoal
Para além do vestuário
Atualmente, pai e filho trabalham juntos na Arnaldo Danemberg Collection, antiquário fundado pelo patriarca. Além de um estilo clássico, os dois compartilham o trabalho do dia a dia. “Uma inspiração muito grande é a paixão dele pelo antiquário”, revela André, que começou a trabalhar no local no fim de 2019. “Ver o apreço dele todos os dias é algo arrebatador, me anima”, conta.
O empenho que André, formado em arquitetura, tem em sua profissão se conecta à forma como seu pai se relaciona com o trabalho. Outro elo forte é o da dedicação aos estudos. “Eu sempre gostei muito de história, mas entrando aqui no antiquário comecei a me dedicar a fundo. Fiz uma pós-graduação em antiquariato e hoje, assim como meu pai, também leciono”, explica.

Foto: Acervo Pessoal
“André é aficionado por história… nós gostamos de coisas parecidas”, compara Arnaldo. “Ele aborda o que ama com esmero, gosto e apuro. Pega os textos e estuda, passa marca texto no que acha importante. É bonito isso, né? Sublinhar o que é essencial.” O pai destaca que hoje vê, com alegria, o bem-tratar do filho.“Ele tem uma postura elegante com as pessoas. Possui um gestual sutil e discreto. É um rapaz bastante observador, como eu, e falante”, derrete-se.
Coisa de casa
Agora, se tem um elemento visual fortemente compartilhado pelos dois é o apreço pela cor azul marinho. “É uma cor que nos une”, conta Arnaldo. “Quando ele era pequeno, lembro bem disso, ele se arrumava todo e já tinha uma certa fleuma de cavalheiro.” Daí o gosto pela elegância e versatilidade do azul marinho. “Porém, ele mais jovem gostava muito de estampas. Quando morava no Vietnã, André tinha umas camisas estampadas”, relembra.

Foto: Acervo Pessoal
Mas uma estampa que até hoje não saiu do peito de André, muito menos de Arnaldo, é a do brasão do Flamengo, o time dos Danembergs. “André é a quarta geração de flamenguistas. Tem meu avô, meu pai, eu, ele, e agora a filha dele também, que é supertorcedora”, diz Arnaldo, com orgulho. “E ele sempre me dá uma camisa do Flamengo de presente.”
Por Thiago Andrill



