Como a curiosidade fez Maria Eugênia Suconic, capa da Versatille, alçar voos como apresentadora, atriz e diretora de arte

Sempre de peito aberto, Mareu agora aposta em “projetos que ensinam” e investiga os benefícios da cannabis na série documental Ver de Perto

Foto: Gabriel Bertoncel

Muito se fala sobre reduzir o ritmo e respirar no agito do dia a dia. Descansar é fundamental, mas, para algumas pessoas, é possível ganhar velocidade sem se atropelar. Esse é o caso da apresentadora, atriz e, agora, diretora de arte Maria Eugênia Suconic. Sempre foi, na verdade, desde que começou a carreira, aos 17 anos. Além do dinamismo, sua trajetória é marcada por curiosidade: a apresentadora morou na casa de desconhecidos pelo Brasil por três anos no Adotada, da MTV. O programa foi indicado ao Emmy Internacional e, hoje, Mareu grava o Ver de Perto, série documental “sem tabus” sobre a cannabis – ou maconha, no termo coloquial.

 

Vestido e capa Rebeca Nepomuceno

 

Com o cantor Matuê e o ator Luís Navarro, ela viajou para países onde a planta é legalizada para investigar benefícios e aplicações, como em tratamentos médicos, na indústria têxtil e na construção civil. Por aqui, Maria Eugênia diz que o preconceito impede as tentativas de explicar o tema com embasamento. “Falta espaço para uma curiosidade natural. Não faz mal? Como é que é? E por que o tabu?”

 

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Mareu conta que já fumou e também usou o óleo de CBD (ou canabidiol, substância da planta cannabis) para a ansiedade, mas que não funcionou. “Não quer dizer que seja ruim. É o mesmo que um remédio ou alimento: pode só não funcionar para você. Além do Ver de Perto, com previsão de estreia para 2026, ela revela projetos nos quais está envolvida, relembra entrevistas que fez com bandas estrangeiras – sem falar inglês –, o namoro com o cantor Supla e mais. Tudo na cara e na coragem, como diz.

 

Versatille: Como foi o convite para o Ver de Perto?

Maria Eugênia Suconic: Luís Navarro (ator e coapresentador) e Domingos Meira (criador do projeto) me convidaram. Só que eu disse que não era do universo da cannabis. Não fumo, não uso óleo CBD, nada. Mas eles responderam que fazia sentido, sim, porque eu sempre falei sobre todos os assuntos sem tabu.

 

Blusa, casaco, saia e sapatos Ferragamo e brincos Carlos Penna Mobiliário Ricardo Fasanello, poltrona Esfera, desenho de 1968

 

V: Já usou cannabis?

MES: Fumei e também tomei o óleo, pois tinha muitas crises de ansiedade. Mas não funcionou, não é para todo mundo, e está tudo certo. O que não quer dizer que seja ruim. É o mesmo que um remédio ou alimento: pode só não funcionar para você. É um universo que me deixa curiosa e, quem sabe, um dia mude para mim.

 

V: O que deixa você curiosa?

MES: O óleo de CBD ajuda muita gente em tratamentos de saúde, não é só a parte recreativa. É uma planta rica, dá para fazer tecido, usar na construção civil, aplicar em tratamento de saúde canina, etc.

 

V: Como foi a preparação?

MES: Teve uma parte em que eu fui na cara e na coragem. Queria mostrar um pouco da descoberta, fazer perguntas de leiga para os especialistas. Eu acho que falta espaço para uma curiosidade natural ao lidar com esse assunto. Faz mal? Não faz mal? Como é que é? E por que o tabu? Além disso, também assisti a séries, li textos e reportagens e conversei com Matuê, Luís e Domingos.

 

V: Por “curiosidade natural” você quer dizer o quê?

MES: Acredito que toda curiosidade, quando genuína, desperta interesse. Até mesmo empatia.

 

 

V: Alguma informação sobre a cannabis mais surpreendeu você?

MES: As aplicações na área de saúde (o canabidiol foi aprovado pela Anvisa em 2019, pode ser comprado em farmácia com receita e, no SUS-SP, é usado em tratamentos).

 

V: Você sempre foi curiosa?

MES: Tive uma fase tímida, até uns 8 anos. Depois, comecei a gostar de perguntar tudo, a querer entender os lados das coisas. Já no fim da adolescência, eu me joguei mesmo e trabalhei como hostess, DJ… fazia de tudo!

 

V: O que deu o empurrão?

MES: Comecei a entender que gostava de buscar o que fazia meu coração vibrar. Eu adorava música. Então, virei DJ. Amava roupa, me tornei stylist. Sempre gostei de falar e de receber. Daí, virei hostess. Eu transformei hobbies e características em trabalho. Fiz produção de moda para a Capricho, aos 17 anos, e também produzi capa e editorial para muita revista. Trabalhei como hostess da São Paulo Fashion Week e Fashion Rio, além de festas.

 

V: Dava tempo para descansar?

MES: E jovem descansa?

 

Vestido Philipp Plein e sapatos Christian Louboutin

 

V: Quando veio o convite para a televisão?

MES: Pelo Supla, em 2008. Ele me chamou para participar de seu programa da RedeTV!, o Brothers. Eu seria a personagem Betty Net, a Garota da Internet. A primeira coisa que disse foi: o que eu vou fazer lá? Eu tenho vergonha! Só que tive a ideia de ir fantasiada, sempre fui do universo lúdico. E foi maravilhoso! Só trabalhava no sábado e já pagava o aluguel. Comecei a ter um jornal, o Netty News, no qual contava histórias da internet, levava vídeos engraçados. Durou um tempo, e comecei a reparar nas meninas que dançavam no programa. Foi aí que decidi voltar ao figurino.

 

V: Mas não ficou por lá…

MES: No meio disso tudo, eu e Supla namoramos e terminamos. Depois, ele me disse que ia fazer outro programa, o Papito in Love, na MTV. E me chamou como ex-namorada para ser jurada. Eu fiz uma ex meio ácida, que estava ali para ajudá-lo a achar uma nova. Daí me chamaram para ser repórter da MTV.

 

V: Como foi?

MES: Eu me jogava. Conversava com banda gringa sem falar inglês, mas não era para mim. Mandei um e-mail para a direção falando isso e tive de retorno uma pergunta: “Do que você gosta?”. Respondi que ir para a casa dos meus amigos de mala e tudo, eu adoro ver a família dos outros. No fim das contas, disse que queria morar na casa de desconhecidos. Desenvolvemos a ideia, e surgiu o Adotada. Foi uma fase muito boa, até hoje recebo mensagens pedindo para o programa voltar.

 

V: Você viveu situações absurdas no Adotada. Qual foi a que mais marcou?

MES: Quando fui expulsa de uma casa. A proprietária falou que não gostava de mim porque eu ia de batom à praia. Só que no Adotada eu sempre estava muito montada. E essa participante não apreciou isso. Ficamos sem saber o que fazer.

 

Vestido e sapatos Ferragamo e brincos Carlos Penna

 

V: Você viajava muito?

MES: A gente ficava de quatro a sete dias na casa da família. Eu voltava para São Paulo e tinha dois para arrumar mala, ir ao cabeleireiro, fazer unha e publicidade. Depois já entrava na casa de outra, era intenso. Não é todo dia que você quer descobrir coisas novas. Hoje, confesso que estou mais caseira, mas uma coisa que eu adoro é me mudar. Meus amigos brincam: “Maria Eugênia sempre está procurando apartamento.

 

V: Estar em movimento e gostar de se comunicar dão um prato cheio no Instagram. Além do Adoçada (quadro em que faz receitas açucaradas), você tem mais projetos?

MES: Vou começar o Entrando numa Frila. Mostrarei uma série de trabalhos freelancer com informações desde quanto se ganha até como são feitos. Eu gosto de bolar projetos que ensinam. Também tem o Desapegada. A ideia é fazer as pessoas se desapegarem das coisas e doarem para ONGs. Além disso, eu faço direção de arte para marcas agora, acredita? Uma amiga me convidou para uma campanha, disse que eu sempre fui diretora de arte.

 

Vestido Rebeca Nepomuceno
e brincos Gabriela Susanna. Mobiliário Zanini de Zanine,poltrona “trez”, 2013

 

V: Ou seja, você realmente é apaixonada por set. Não importa qual função ocupe.

MES: Amo! Eu gosto da energia de todo mundo trabalhando para desenvolver um projeto, para deixar algo bonito e, legal e que comunique bem. Tirar as ideias do papel é muito mágico.

 

Texto: Thiago Andrill

Edição: Giulianna Iodice

Direção criativa: Dorien Barretto

Stylist: Eduardo Centurion

Foto: Gabriel Bertoncel

Assistente de foto: Caio Henrique

Beleza: Carlaxane 

Produção executiva: Deborah Park

Assistente de produção: Gabriela Canova 

Tratamento:  João Bitencourt

Vídeo: Vinícius Vasconcellos

Camareira: Elizabete Moraes

Catering:  Bendita Ideia Banqueteria

Locação: Herança Cultural

Agradecimento especial: Uiara Andrade e equipe Herança Cultural

 

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