Jonathan Anderson estreia na Dior com voz elegante, rebelde e atual
O diretor apresentou coleção com faro comercial que honra a polidez de Christian Dior, mas que traz jovialidade, humor e inovação

O desfile masculino da Dior nesta sexta-feira (27), em Paris, marcou a estreia do diretor criativo Jonathan Anderson na maison. O irlândes, conhecido por sua experimentação com silhuetas, humor e torções do que é considerado “bem vestido”, misturou o toque vanguardista pelo qual é conhecido, firmado na marca homônima JW Anderson e nos anos em que esteve à frente da Loewe, à tradição de Christian Dior.
O resultado? Uma combinação de elegância com ousadia, vide camisas de botão e coletes de alfaiataria impecavelmente cortados mesclados a bermudas cargo, com volume na parte de trás. Com essa protuberância, o diretor criativo traduziu a clássica silhueta feminina New Look, de 1947, para o guarda-roupa masculino. Gravatas amarradas ao contrário, golas desarrumadas ou dramáticas e calças jeans deram modernidade à alfaiataria, suéteres e capas de estilo preppy. Jaquetas militares francesas e fraques do século 18 arremataram o visual romântico.

A proposta de Jonathan Anderson para o homem Dior evoca uma polidez jovem, nada engessada ou exagerada, pois contém uma boa dose de rebeldia. A imagem, enfim, é idiossincrática. Como a alusão ao pintor Basquiat. Dias antes do desfile, a foto do artista foi divulgada pela maison como uma das referências da coleção.
Ainda que tenha sido uma estreia com um forte direcionamento comercial, a apresentação não reproduziu códigos tradicionais por vias óbvias, sem humor ou encantamento. Ao contrário. A combinação de classicismo e streetwear, que envolve desde o estilo old money e a literatura francesa à diluição convencional de gênero e às sandálias pescador com meias, comunica com reverência a um público jovem. Tanto o que consome, ou pode comprar na maison, quanto o que escuta bem a voz atual, refinada e rebelde – mas pouco dada a gritos – de Jonathan Anderson na Dior.
POR Thiago Andrill



