La Grande Dame Rosé 2018 traduz o espírito de Veuve Clicquot
Apresentada no Brasil com menu elaborado por Tuco Mezzomo no Baio Cozinha Sulista, nova safra da cuvée presta tributo à ousadia de Madame Clicquot e à tradição dos tintos de Bouzy

Por Celso Masson
A Moët & Hennessy, proprietária da Veuve Clicquot, encontrou uma maneira precisa de traduzir a identidade da marca: transformou as iniciais de Veuve Clicquot Ponsardin, VCP, em uma síntese de três pilares da maison: volume em boca, complexidade e persistência. Os atributos, longe de se restringirem ao discurso de apresentação, aparecem com nitidez na taça de La Grande Dame Rosé 2018.
A nova safra da cuvée de prestígio da marca foi lançada no Brasil durante um almoço realizado no Baio Cozinha Sulista, no hotel W São Paulo, com menu criado pelo chef Tuca Mezzomo. A escolha do restaurante, conhecido pelo trabalho com ingredientes brasileiros, pequenos produtores e preparos que valorizam vegetais e o fogo, estabeleceu uma conexão natural com a proposta gastronômica desenvolvida pela lendária marca francesa.
Produzido apenas em anos considerados excepcionais para a uva Pinot Noir na região de Champagne, La Grande Dame Rosé chega à 11ª safra desde a criação da cuvée, em 1988. Além de ter sido a safra mais precoce da história, o ano de 2018 teve ainda um significado histórico ao marcar os dois séculos da inovação concebida por Madame Clicquot ao combinar vinhos tintos de Bouzy, vilarejo classificado como Grand Cru, com o vinho branco da maison. Até então, os champanhes rosés ganhavam sua tonalidade característica graças à adição de xarope de sabugueiro. Como o resultado não agradava Madame Clicquot, ela decidiu inovar. Acrescentou vinho tinto tranquilo à composição. A técnica deu origem, em 1818, ao primeiro champagne rosé de assemblage de que se tem conhecimento.
A expressão da Pinot Noir
La Grande Dame Rosé 2018 tem como eixo a Pinot Noir proveniente principalmente dos vinhedos históricos da Montagne de Reims. O Chardonnay da Côte des Blancs entra na composição para acrescentar frescor, finesse e um discreto caráter salino, equilibrando a estrutura e a potência da uva tinta.
O vinho tinto utilizado na assemblage vem exclusivamente do Clos Colin, parcela Grand Cru de Bouzy adquirida pela Maison em 1741 e ampliada, sob a orientação de Madame Clicquot, até alcançar os atuais 1,3 hectare. Com boa exposição solar, o vinhedo possui solo argilo-calcário enriquecido por areia e partículas minerais. A combinação favorece a drenagem e impõe às videiras um estresse hídrico moderado, contribuindo para a concentração dos bagos e a formação de taninos elegantes.
As uvas passam por duas seleções, uma ainda no vinhedo e outra na chegada à vinícola. Depois de desengaçadas, são submetidas a maceração a frio em tanques de aço inoxidável com controle de temperatura. Durante a fermentação, técnicas como pigeage e remontagem permitem extrair gradualmente cor, taninos e estrutura.
O resultado é um vinho tinto de tonalidade rubi, textura macia e aromas de cereja, framboesa e groselha, acompanhados por nuances de especiarias. Incorporado ao champagne, ele acrescenta profundidade aromática e uma textura aveludada que ajuda a explicar a persistência percebida no paladar. “Generosa e precisa, La Grande Dame Rosé 2018 revela a arte da Pinot Noir por meio da elegância e da complexidade do rosé”, define Didier Mariotti, chef de cave da Veuve Clicquot.
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Uma safra de contrastes
As condições climáticas de 2018 foram decisivas para o perfil do vinho. Um inverno especialmente chuvoso foi sucedido por um verão longo e quente, cenário que favoreceu a maturação e permitiu uma colheita de qualidade excepcional. Na composição da cuvée, as diferentes origens da Pinot Noir cumprem papéis complementares. As uvas das encostas voltadas para o norte proporcionam tensão, verticalidade e estrutura; as provenientes das faces ao sul acrescentam textura e sedosidade. Dessa combinação surgem a energia, o volume e a precisão que caracterizam a safra.

Embalagem sustentável de La Grande Dame Rosé (divulgação)
A apresentação do champagne no Baio também aproximou La Grande Dame Rosé 2018 do conceito de Gastronomia do Jardim, criado pela Veuve Clicquot em 2021. A iniciativa propõe colocar os vegetais no centro do prato e reúne uma comunidade internacional de 14 chefs estrelados, entre eles Enrico Crippa, Kanji Kobayashi, Luke Selby, Dario Cadonau e Michaël Vrijmoed.
A inspiração vem do Jardim de Verzy, mantido pela maison em Champagne. Cultivado segundo princípios da permacultura, o espaço produz mais de 300 variedades de frutas, legumes, verduras e ervas no mesmo território em que se encontram vinhedos destinados a La Grande Dame. A ideia é estabelecer um diálogo entre as características da safra e uma cozinha orientada pela sazonalidade e pela origem dos ingredientes.
A preocupação ambiental aparece também no estojo da nova edição, produzido integralmente com papel reciclado. Sua fita pode ser personalizada com um nome ou uma mensagem de até 78 caracteres, e a Maison informa que a distribuição é feita exclusivamente por vias terrestre e marítima.
Fundada em Reims, em 1772, a Veuve Clicquot teve sua trajetória transformada quando Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin assumiu o negócio, em 1805. Conhecida por seus contemporâneos como “la grande dame de la Champagne”, ela esteve por trás de avanços como a mesa de remuage, o champagne safrado e o rosé de assemblage. Duzentos anos depois de uma de suas criações mais importantes, La Grande Dame Rosé 2018 mostra como essa herança continua presente — no volume, na complexidade e na persistência.
