Denza B5 lidera mercado de carros premium e reforça crescimento da BYD
Modelo B5 ocupa o topo do segmento pelo terceiro mês consecutivo, enquanto a fabricante chinesa bate recorde de emplacamentos e encosta no terceiro lugar do ranking nacional

Por Celso Masson
Nove meses depois de entregar seu primeiro veículo no Brasil, a chinesa Denza começa a alterar a configuração do mercado de automóveis premium no país. O modelo B5 terminou agosto como o modelo mais vendido do segmento pelo terceiro mês consecutivo e assumiu a vice-liderança no acumulado de 2026, enquanto a BYD, grupo ao qual a marca pertence, registrou novo recorde de emplacamentos e se aproximou da terceira posição entre as montadoras.
Em agosto, foram vendidas 683 unidades do Denza B5, número 34% superior ao do BMW X1, segundo colocado, com 509 emplacamentos. De acordo com levantamento da própria marca, o SUV alcançou 18,7% de participação no segmento premium no mês. Desde o início do ano, soma 2.558 unidades comercializadas.
O desempenho ganha relevância em um mercado historicamente dominado por fabricantes europeias. “Liderar três meses seguidos em um dos segmentos mais tradicionais do mercado brasileiro mostra que alguma coisa mudou”, afirma Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil e responsável pelas áreas de marketing e comercial da BYD Auto. “O B5 provou que existe espaço para uma nova referência no premium e que o consumidor está disposto a olhar além das marcas que conhece há décadas.”
Para sustentar o crescimento, a empresa já reúne 14 pontos de venda no Brasil, divididos entre sete concessionárias e sete lojas temporárias. Em agosto, apresentou ainda o esportivo Z9 GT e a minivan D9, ampliando um portfólio até então concentrado no B5. O Z9 GT será o primeiro automóvel comercializado no país compatível com o Flash Charging, sistema de recarga ultrarrápida do grupo.
De olho no terceiro lugar, a expansão da Denza acompanha o avanço da BYD no mercado brasileiro.
Em agosto, a fabricante emplacou 24.467 automóveis e comerciais leves, seu melhor resultado mensal no país, e alcançou participação de 9,3%. A empresa encerrou o período próxima da terceira colocação no ranking geral das montadoras. No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, foram 146.930 veículos emplacados, volume que já supera as cerca de 112 mil unidades vendidas em todo o ano anterior. A trajetória ajuda a dimensionar a velocidade desse crescimento. A BYD encerrou 2022 na 31ª posição, com apenas 0,1% do mercado; ingressou no grupo das dez maiores em fevereiro de 2024 e chegou ao quarto lugar em maio deste ano.
No varejo, que considera principalmente as compras realizadas por pessoas físicas, a BYD permaneceu na liderança pelo quinto mês consecutivo, com 12,85% de participação. Dolphin e Dolphin Mini foram os dois carros mais vendidos por esse canal em agosto, com 5.964 e 5.820 unidades, respectivamente.
A fabricante também avançou em outros segmentos. O King registrou 1.433 licenciamentos e alcançou 42,6% do mercado de sedãs médios. Entre os SUVs médios, a família Song somou 6.724 unidades no mês e 18% de participação. Dolphin Mini, Dolphin e Song apareceram ainda entre os dez veículos mais emplacados do país, considerando todas as categorias e canais de venda.
A liderança é mais ampla entre os modelos totalmente elétricos: 59,5% dos automóveis dessa categoria vendidos no Brasil em agosto eram da BYD. O crescimento é apoiado pela rede de 235 concessionárias e pela operação industrial instalada em Camaçari, na Bahia. A empresa mantém como objetivo chegar à liderança do mercado automotivo brasileiro até 2030.
Inteligência artificial como estratégia

Stella Li na revista TIME (divulgação)
A expansão da BYD também está associada aos investimentos em inteligência artificial. Stella Li, vice-presidente executiva da companhia e CEO da BYD Américas, acaba de ser incluída pela revista Time na lista TIME100 AI 2026, que reúne as 100 personalidades mais influentes no desenvolvimento da inteligência artificial. A executiva aparece na categoria “Inovadores”, em reconhecimento ao seu trabalho na integração da IA ao mundo físico e na ampliação do acesso a tecnologias avançadas.
“A tecnologia só cria valor real quando beneficia a vida cotidiana das pessoas. Nosso objetivo é tornar as tecnologias avançadas acessíveis a todos”, afirmou Stella Li. A presença da executiva na TIME100 AI reforça uma estratégia que combina eletrificação, inteligência artificial e produção em escala — três elementos essenciais para compreender o rápido avanço da BYD e de sua marca premium no mercado brasileiro.
