O luxo da simplicidade e os melhores sabores da Praia dos Ossos

Instalado no charmoso Vila da Santa Hotel Boutique & SPA, o restaurante La Gare foi recentemente coroado na categoria "Best of the Best – Restaurantes Finos do Brasil" pelo Tripadvisor Travellers’ Choice

Entrada do La Gare pelo pátio interno do hotel Vila da Santa, com o relógio garimpado pelos proprietários e a escultura em Carrara (divulgação)
Entrada do La Gare pelo pátio interno do hotel Vila da Santa, com o relógio garimpado pelos proprietários e a escultura em Carrara do século XVII (divulgação)

Por Celso Masson

 

Desde que elegi Búzios como minha cidade de praia favorita, logo após a pandemia de Covid-19, tenho me surpreendido cada vez mais com a qualidade da gastronomia quem ela oferece. Há uma explicação para a qualidade dos pescados da região, considerados os melhores do Brasil por chefs consagrados como Alex Atala. A razão é o fenômeno da ressurgência, que traz à superfície águas profundas e ricas em nutrientes.

 

Mas não é só a boa matéria-prima que permite aos restaurantes de Búzios oferecer uma comida de excelência. Há o cuidado de quem cozinha, sempre procurando valorizar os sabores mais autênticos, como ocorre no La Gare, recentemente coroado no Tripadvisor Travellers’ Choice na categoria Best of the Best – Restaurantes Finos do Brasil.

 

Suite Master vista praia (divulhação)

Janela da suíte com vista para a Praia dos Ossos (divulação)

Instalado no charmoso Vila da Santa Hotel Boutique & SPA, na Praia dos Ossos, o restaurante guarda uma história deliciosa. La Gare significa A Estação, em francês. A língua natal dos proprietários Bettina e Pierre d’Archemont ensejou a escolha do nome, cuja inspiração veio de em um relógio de dupla face de 1940, original de uma antiga estação de trem francesa da marca Lepaute e garimpado pelo casal. O relógio ocupa o topo de uma parede de vidro que separa (ou integra) o restaurante do pátio central do hotel, onde ficam as mesas externa. É um verdadeiro convite para pausar o tempo.

 

Se o ambiente já é um charme pelo bom gosto da decoração, a gastronomia surpreende ainda mais, promovendo o encontro perfeito entre o frescor tropical e a sofisticação mediterrânea, priorizando o que chamamos de cozinha afetiva. Tive o imenso prazer de provar o prato que se tornou a grande assinatura do menu: a Moqueca de Sant’Ana. Confesso ter duvidado quando o maître afirmou ser a melhor da cidade. Depois de prová-la, posso afirmar sem hesitação que, se não é a melhor, está no pódio das moquecas da região. O prato traz peixe branco e camarões impecavelmente frescos combinados com banana-da-terra, leite de coco, azeite de dendê, pimenta-biquinho e coentro. Vem acompanhada de um arroz saborizado e uma farofa de dendê com castanha-do-Pará que eleva a experiência. Para os vegetarianos e veganos, há uma elogiada versão com cogumelos, palmito e tomate-cereja que entrou em definitivo para o cardápio.

 

Polvo à Velha Aldeia,m o drink Embarque e a famosa Moqueca de Sant'Ana (divulgação)

Polvo à Velha Aldeia com o drink Embarque e a famosa Moqueca de Sant’Ana (divulgação)

O menu ainda brilha com o Polvo à Velha Aldeia, escoltado por purê de batata-doce e molho de tomate com açafrão, e com o robusto Filé de Costela Angus na Cachaça. Para o grand finale, a mousse de chocolate 70% cacau cultivado na Amazônia paraense é imperdível.

 

História

Além da ótima comida, o restaurante encanta pela atmosfera de acolhimento e sofisticação que herda do hotel em que está instalado. O projeto arquitetônico do Vila da Santa, concebido em 2010, levou seis anos para se concretizar e foi inteiramente inspirado nas charmosas vilas de pescadores do Mediterrâneo, mesclando-se perfeitamente com os pátios internos em vários níveis e com a própria história de Búzios.

 

O conceito de hotel boutique se materializa em cada uma das 24 exclusivas acomodações (incluindo a deslumbrante Casa Secreta, à beira-mar) e ganha vida por meio de uma curadoria milimétrica. Pelas áreas comuns, obras de arte locais — como os icônicos barquinhos coloridos que abrigam os amenities nos banheiros, esculpidos por um pescador morador dos Ossos — dialogam harmoniosamente com peças históricas trazidas de mais de três décadas de viagens dos proprietários pelo mundo. Mesmo quem não se hospeda no Vila da Santa pode aproveitar algumas das experiências que esse hotel oferece.

 

Banheira Suite Master Vila da Santa (divulgação)

Suíte Master com banheira vitoriana (divulgação)

Tour des Artes

 

Hospedar-se ou simplesmente visitar o Vila da Santa é também abrir as portas para um cardápio de vivências que vão muito além da hotelaria convencional. O Tour das Artes (cortesia para hóspedes) transforma os pátios em uma galeria à beira-mar, revelando segredos de relíquias garimpadas na Europa pelo casal de proprietários, como uma estátua florentina em mármore de Carrara do século XVII e um poço francês do século XIX. Já para quem deseja desvendar a fundo a identidade gastronômica do país, os recém-lançados Ateliê da Moqueca e Ateliê da Caipirinha são paradas obrigatórias. Conduzidos pelo chef do La Gare, os workshops levam os participantes a colocarem a “mão na massa” no cenário exclusivo da Casa Secreta ou no balcão do restaurante, unindo aulas de mixologia, história e uma rica jornada sensorial que termina, claro, em um memorável brinde à beira do mar.

 

Leia mais: