David Hockney, o influente artista plástico britânico morto aos 88 anos
Hockney se tornou referência da pop art e uma figura celebrada pelo pensamento acerca do fazer artístico

Por André Sollitto
“A vida é emocionante, interessante, empolgante”, disse David Hockney, um dos mais influentes artistas plásticos do século 20. O britânico, morto nesta sexta-feira, 12, aos 88 anos, ajudou a revolucionar a arte mantendo um entusiasmo pela vida, um olhar original sobre o mundo ao seu redor e adotando uma atitude experimental em relação a técnicas e meios.
Hockney ganhou notoriedade como um excelente aluno da escola de artes, mas que logo cedo mostrou originalidade e talento para inovar e provar a sociedade britânica da época, retratando temas como o amor gay de forma empática, anos antes de a homossexualidade deixar de ser considerada um crime na Grã-Bretanha, o que só aconteceu em 1967.
LEIA MAIS
- Duas novas exposições na galeria Danielian discutem tradições na arte
- Arte monetizada: galeria paulistana busca mestres da pintura brasileira

O artista britânico David Hockney (Connaissance des Arts | Reprodução)
Nos anos 1960, ficou conhecido como um dos expoentes da pop art, movimento que ganhou força ao substituir uma abordagem elitista das artes plásticas por temas relacionados à vida cotidiana e por incorporar elementos populares, como quadrinhos e linguagem de propaganda.
Foi nessa época que pintou alguns de seus quadros mais famosos, como “Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras)”, com suas cores vibrantes e energia solar. As piscinas e outros elementos visuais da cidade de Los Angeles, na Califórnia, onde viveu por muitos anos, despertaram seu interesse artístico e tornaram-se um de seus principais temas.
Com seu cabelo loiro e pequenos óculos de aros redondos, Hockney também se tornou uma celebridade. Conviveu com Andy Warhol (1928-1987), Dennis Hopper (1936-2010), Joni Mitchell e outros artistas, atores e músicos, e participou de inúmeras festas e dos excessos das décadas de 1960 e 1970.
Mas nunca deixou seu trabalho de lado. Tanto que sua produção é vasta. Experimentou com uma variedade de plataformas e técnicas: pintura, desenho, aquarela, fotografia, litografia e até ferramentas digitais, como computadores e iPads.

No. 778, obra de 2011 feita com um iPad (Reprodução)
Foi também um grande pensador do fazer artístico. Defendia o olhar original do artista, a observação da vida cotidiana e mantinha um otimismo inabalável. O livro The World According to David Hockney, publicado em 2024 pela editora Thames & Hudson reúne algumas de suas obras e dezenas de frases que refletem seu olhar sobre o mundo e a produção artística. “Pintar todos os dias pode não ser ideal para todos, mas funciona para mim. Se você faz isso, você vive no agora”, disse.
Suas obras estão entre as mais caras já vendidas. Em 2018, “Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras)” foi leiloado pela Christie’s por 90 milhões de dólares, o maior valor já pago pelo trabalho de um artista vivo. Seu recorde só foi quebrado quando uma obra de Jeff Koons foi leiloada por 91 milhões de dólares.



