Jaqueta de couro: o clássico que nunca sai de cena
Das versões biker às modelagens minimalistas, a jaqueta de couro se reinventa a cada temporada e segue como uma das peças mais versáteis, elegantes e atemporais do guarda-roupa masculino

Por Karina Hollo
Muito além de uma peça de inverno, a jaqueta de couro se consolidou como um dos maiores clássicos do guarda-roupa masculino. Atemporal, versátil e cheia de personalidade, ela atravessa décadas sem perder relevância, transitando bem entre o visual casual e produções mais sofisticadas. “A jaqueta de couro é uma peça mais especial no guarda-roupa, tem que durar mais e faz parte do vocabulário de terno”, explica o consultor de estilo masculino André do Val.
Nos anos 1950, ela era a peça para andar de moto, tanto para agasalhar como para proteção. “Ela vinha inclusive por cima do terno, usado para trabalhar, como um over coat”, conta André. “A jaqueta tem também uma inspiração na aviação, nos motoqueiros militares – os desenhos vêm daí.”
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Antes da década de 1940, as jaquetas de couro para motociclistas eram vistas como peças utilitárias e culturalmente neutras. Na época, os motoclubes americanos eram como qualquer clube de corrida hoje – locais de socialização. Participar era considerado uma atividade normal e saudável.
André conta a história de como as jaquetas se tornaram um símbolo de rebeldia e juventude: “existiam clubes de moto, como existem os clubes de corrida hoje, um espaço de socialização masculina de grupo. E eis que vários foram para uma cidade rural, arrumaram brigas e ficaram conhecidos como motoqueiros arruaceiros. Isso em 1947, nos Estados Unidos”.
Depois disso, as jaquetas de couro pretas se tornaram a segunda pele dos rebeldes. Marlon Brando consolidou a imagem de rebeldia no filme O Selvagem (The Wild One), de 1953. James Dean também a imortalizou. E desde então, as jaquetas de couro fazem parte de todas as subculturas rebeldes.
Você se interessa por uma jaqueta de couro, mas não tem certeza se o estilo combina com você? Bem, certamente existe uma opção para você. De modo geral, a maioria das jaquetas de couro se enquadra em uma de duas tradições: jaquetas de couro para aviadores e motociclistas. Se você não tem certeza, opte pelos estilos A-1, A-2 e Cafe Racer, mais conservadores e clássicos, adequados para trabalho e saídas noturnas de fim de semana.
Nesta temporada, investir em uma boa jaqueta de couro continua sendo uma das escolhas mais certeiras para quem busca estilo, praticidade e elegância.
Perfecto
“A Perfecto é a mais pesada, americana, com puxador, botões, tachas e corte assimétrico”, conta André. Sua origem vem das jaquetas de voo – mas civis vêm reaproveitando jaquetas bomber há quase cem anos. A jaqueta de piloto original foi a A-1, em um couro mais leve, com a gola, a barra e os punhos com um acabamento em tricô. As primeiras jaquetas de motociclista eram, na verdade, jaquetas A-1 reaproveitadas, que os pilotos costumavam usar sobre seus ternos e blazers. Elas passaram a apresentar um tipo de fechamento duplo (onde um lado da jaqueta se sobrepõe ao outro) e evoluíram para uma forma assimétrica com zíper, representada de forma mais icônica pela Perfecto. O estilo tem detalhes como botões de pressão, cintos com fivelas de metal, bolsos em forma de D.

(Reprodução | Farfetch)
Jaqueta Essential de couro, Karl Lagerfeld, R$ 9.017, na Farfetch

Jaqueta biker com zíper, AllSaints, R$ 5.198, na Farfetch
Cafe Racer
“É a dos motoqueiros ingleses, muito usada nos anos 1950 e 1960, em Londres, mais justa, próxima ao corpo, sem colarinho, mais discreta”, analisa André. Se a Perfecto é demais para você, experimente uma Cafe Racer, mais minimalista. Tem bolsos com zíper no corpo, mangas com zíper e um zíper frontal simples e simétrico. Alguns têm uma prega invertida nas costas para permitir maior liberdade de movimento em uma motocicleta, embora não seja incomum ver costas lisas.

Jaqueta Cora de couro, AllSaints, R$ 5.700

Jaqueta de couro com zíper frontal, BOSS, R$ 4.900
Como escolher? De acordo com a sua personalidade. Vale ser um couro mais rústico ou polido, mais lustrada. Ela transita bem em vários momentos e ambientes e você provavelmente vai ter uma ou duas na vida.
É preciso ter um certo cuidado com a peça para que ela dure – e isso inclui hidratar, polir e guardá-la corretamente.
Os materiais naturais sempre têm uma qualidade superior, mas a tecnologia avançou muito e existem ótimas alternativas em termos de moda e imagem.



