Mondepars confirma maturidade criativa de Sasha Meneghel em desfile com alfaiataria

Menos de um ano após estreia, a Mondepars avança na construção de sua identidade: alfaiataria contemporânea, funcionalidade e abordagem que privilegia a longevidade das peças

desfile da Mondepars, de Sasha Meneghel
Sasha Meneghel no desfile da Mondepars: coleção em homenagem à avó (Divulgação)

Por Karina Hollo

 

Menos de um ano após sua estreia no mercado, a Mondepars apresentou na última semana uma coleção que marca não apenas a evolução estética da marca, mas também um momento de maturidade criativa para sua fundadora e diretora criativa, Sasha Meneghel. Batizada de ALDA, a coleção de inverno parte de uma história profundamente pessoal: a trajetória de sua avó, Alda Meneghel, artista multifacetada que teve papel decisivo em sua formação criativa.

 

Mais do que uma homenagem familiar, o desfile foi uma espécie de retorno às origens. Costureira, pintora, figurinista e criadora incansável, Alda foi responsável pelos primeiros contatos de Sasha com o universo da arte, da moda e do fazer manual. Sua vida, marcada por episódios quase cinematográficos — da convivência com um grupo cigano na infância à passagem por um convento antes de se apaixonar pelo homem com quem formaria sua família — serviu de ponto de partida para uma coleção que transita entre memória, afeto e sofisticação contemporânea.

 

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modelo no desfile da marca Mondepars

Mondepars: alfaiataria é espécie de marca registrada (Divulgação)

Na passarela, os códigos da Mondepars apareceram ainda mais refinados. A alfaiataria, que vem se consolidando como assinatura da marca, surgiu em construções precisas e fluidas, equilibrando estrutura e leveza. Silhuetas alongadas, proporções bem resolvidas e uma cartela de cores sóbria reforçaram a proposta de um guarda-roupa atemporal, distante da lógica das tendências efêmeras.

 

As referências ao universo de Alda foram traduzidas de forma sutil. Elementos ligados ao circo, às memórias do convento e ao imaginário militar apareceram reinterpretados em cortes, volumes e detalhes que evitam a literalidade. O resultado foi uma coleção elegante e emocional, capaz de transformar lembranças pessoais em uma narrativa universal sobre identidade, pertencimento e herança criativa.

 

Modelo desfila roupas masculinas de alfaiataria em passarela da Mondepars

Sem literalidade: imaginário militar apareceu reinterpretado (Divulgação)

A experiência do desfile também chamou atenção pela dimensão sensorial. A trilha sonora, criada por Carlos Bezerra e dirigida por João Lucas, foi mixada em tecnologia Dolby Atmos, utilizada pela primeira vez em um desfile de moda. Com mais de 40 caixas de som distribuídas pelo espaço, a apresentação ganhou uma atmosfera cinematográfica que ampliou a potência narrativa da coleção.

 

O styling assinado por Pedro Sales reforçou a sofisticação silenciosa da Mondepars, enquanto peças Life by Vivara e óculos Vogue Eyewear complementaram os looks. Na beleza, Rodrigo Costa apostou em uma estética natural e contemporânea, alinhada ao espírito da coleção.