Duas novas exposições na galeria Danielian discutem tradições na arte
A mostra coletiva “Ainda Bem” explora a visão burguesa, enquanto “As feras / Às feras” aborda a visão do corpo humano

Por André Sollitto
A partir desta terça-feira, 26, a galeria Danielian inaugura duas novas exposições em seu espaço expositivo em São Paulo.
A primeira é a exposição coletiva Ainda Bem. O nome é uma referência à frase “Ainda bem que este tipo de arte um dia irá acabar”, dita pelo artista Gustavo Speridião. A partir dessa ideia, a curadora Clarissa Diniz selecionou obras de 28 artistas dos séculos 19, 20 e 21 para discutir a tradição burguesa que moldou a ideia de arte no Brasil e no Ocidente.

Retrato da Família Junius Villeneuve, de Louis Auguste Moreau, obra de 1841 (Divulgação | Danielian)
De um lado, há pinturas e retratos ligados ao olhar de uma elite branca brasileira que buscava reproduzir padrões europeus de refinamento; de outro, obras contemporâneas que ironizam, desmontam e desafiam esse legado. “Trata-se de imaginar e construir práticas artísticas que não obedeçam, tampouco se intimidem, diante das prescrições históricas, sociais e ontológicas legadas pela formação burguesa da ideia de arte”, escreve Clarissa Diniz no texto curatorial.
A segunda exposição que a Danielian inaugura nesta terça-feira é As feras / Às feras, individual de Ana Neves. A curadora Ariana Nuala selecionou 10 obras inéditas da artista que investigam a construção do ser humano enquanto consciência e corpo, revelando um estado de rito onde imagem, linguagem e movimento andam juntos.
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Obra Acreditar é, de Ana Neves, 2024 (Divulgação | Danielian)
Nos trabalhos de Ana Neves, a influência da literatura é percebida pela maneira como texto e imagem dialogam. O corpo representado nas obras se funde a elementos da fauna e da flora, evocando símbolos como o canavial, a onça e o boi que remetem à Zona da Mata pernambucana, onde a artista reside e trabalha.
“Os desenhos e pinturas parecem feitos sob pressão. A linha delimita, retorna, reforça, insiste sobre si mesma. Como se precisasse repetir para fazer aparecer. Em alguns momentos, quase fere a superfície. Em outros, falha, rareia, deixa o corpo escapar. Há áreas onde a matéria se adensa, a cor acumula, pesa, e outras onde tudo parece prestes a desaparecer”, escreve a curadora Ariana Nuala no texto que acompanha a exposição.
SERVIÇO
- Ambas exposições ficam em cartaz até o dia 11 de julho.
- A Danielian fica na Rua Estados Unidos, 2114.
- Visitação de segunda à sexta, das 11h às 19h, e sábado, das 11h às 15h.
- Entrada é gratuita.



