5 bons motivos para visitar bares de hotéis pelo mundo
De Madri à Ilha de Páscoa, não faltam razões para desfrutar de espaços onde a coquetelaria, a arquitetura e a cultura local criam atrações que vão além da hospedagem

Por Celso Masson
Houve um tempo em que os bares dos grandes hotéis ocupavam um espaço glorioso no imaginário coletivo. Luxuosos, privativos, com serviço impecável, figuravam entre os principais pontos de encontro de cidades como Londres, Paris e Nova York. Eram frequentados por escritores, artistas, empresários e viajantes, mas também por moradores que encontravam ali um ambiente propício para conversar, fazer negócios ou simplesmente observar o movimento. O balcão de um hotel podia ser tão representativo da vida urbana quanto um restaurante ou um café tradicional.
Com a expansão das redes internacionais, muitos desses espaços perderam parte de sua personalidade. O conforto e a eficiência dos serviços foram preservados, mas a decoração padronizada e os cardápios semelhantes tornaram difícil distinguir um bar de hotel em Londres de outro em qualquer grande metrópole. Em muitos casos, o glamour de outrora deu lugar a salões com gente apressada arrastando a própria bagagem como em um lounge de aeroporto.
Felizmente, o charme dos bares do hotel começa a ser recuperado, com vários bons exemplos de ambientes que se tornaram o destino em si. São propostas que valorizam a arquitetura, a gastronomia, a coquetelaria e, sobretudo, a relação com o lugar onde estão instalados. Em alguns casos, o objetivo é atrair também o público local. Em outros, integrar a experiência de quem se hospeda à paisagem e à cultura da região. Os cinco endereços a seguir mostram diferentes interpretações dessa tendência.
Metrópolis, Madri
Um novo ponto de encontro na capital espanhola
Um dos edifícios mais conhecidos de Madri, na Calle Alcalá, 39, ganhou uma nova função. Construído em 1911 e reconhecido por sua cúpula, o Metrópolis passou por uma transformação conduzida pelo Grupo Paraguas, que criou um hotel com apenas 19 quartos e suítes, associado a um clube e diferentes espaços gastronômicos. A proposta é fazer do endereço um ponto de encontro também para os madrilenhos. Entre suas atrações está o Spa de Langostas, que combina frutos do mar, drinques e música em um ambiente voltado para a vida noturna.

Spa de Langostas, que combina frutos do mar, drinques e música no hotel Metropolis, de Madri (divulgação)
O edifício abriga outros espaços para comer e beber, permitindo que a programação se estenda ao longo da noite, sem necessidade de sair do hotel. Em uma cidade conhecida pelos jantares tardios e pela disposição de prolongar encontros até a madrugada, a proposta encontra um público natural. Durante mais de um século, o Metrópolis foi uma referência na paisagem urbana. Agora, oferece aos moradores e visitantes a oportunidade de conhecer também seu interior.
Grand Hotel Bellevue: o charme de um salão particular em Londres
Em uma cidade que abriga alguns dos bares de hotel mais tradicionais do mundo, o Pondicherry, no Grand Hotel Bellevue, prefere a discrição à grandiosidade. O projeto de interiores, assinado por Fabrizio Casiraghi, parte de uma narrativa curiosa: o hotel seria a residência de um aristocrata britânico que retornou de suas viagens com uma coleção de objetos e lembranças. O bar reproduz parte desse universo, com madeiras escuras, iluminação suave, tons terrosos e uma parede de bordados desenvolvida em parceria com a marca nova-iorquina BODE.

O Pondicherry, no Grand Hotel Bellevue, em Lndres (divulgação)
O resultado lembra um salão particular, com uma atmosfera intimista e um toque de excentricidade. A carta de drinques inclui criações como o Norfolk Fashioned e o Ponditea. Sem recorrer à monumentalidade dos bares históricos londrinos, o Pondicherry aposta na sensação de estar na casa de alguém com boas histórias para contar. Um ambiente que convida a prolongar a conversa depois da última taça.
La Coralina Island House: os sabores e o ritmo do Caribe panamenho
Em Bocas del Toro, no Panamá, a relação entre o bar e seu entorno assume outra dimensão. Cercado pela vegetação tropical e pelo mar do Caribe, o La Coralina Island House incorpora a paisagem à experiência de seus hóspedes. No Restaurant & Lounge Bar, a carta de drinques acompanha um menu que valoriza peixes, frutos do mar, cacau e ingredientes regionais. O Poolbar oferece uma alternativa mais informal, especialmente agradável no fim da tarde, quando a temperatura começa a cair e os hóspedes retornam das atividades no mar.
A proposta combina gastronomia e hospitalidade com o ritmo da ilha, conhecida pelas praias, pelo surfe e pelas possibilidades de navegação. O ambiente tropical dispensa cenários elaborados: a vegetação, a brisa e o som do mar já fazem parte da experiência. É uma interpretação caribenha do bar de hotel, na qual a conexão com o destino se estabelece de maneira natural.
Turtle Inn: de microscópios antigos aos vinhos da família Coppola
Parte da coleção de hotéis de Francis Ford Coppola, o Turtle Inn, em Belize, reúne referências pouco convencionais em seus bares. O Skip White Bar leva o nome de um antigo proprietário da propriedade, que era biólogo marinho. Sobre o balcão, microscópios utilizados por ele e seus alunos permanecem como testemunhos dessa história. A carta inclui cervejas produzidas em Belize e vinhos ligados à família Coppola.

Turtle Inn, com a ampla adega de vinhos do diretor de “Apocalypse Now” (divulgação)
A poucos passos, o The Laughing Fish Bar oferece uma experiência mais informal, diretamente na areia, onde até um coco pode servir de recipiente para um drinque. Outra atração é o Wine Aquarium, adega envidraçada com mais de 1.200 garrafas, incluindo rótulos da Califórnia e de diferentes regiões produtoras. A combinação de biologia marinha, vinhos, referências cinematográficas e elementos da cultura local confere ao Turtle Inn uma personalidade difícil de reproduzir. Cada detalhe contribui para contar a história do lugar e de seus proprietários.
Nayara Hangaroa: o Pacífico como protagonista
Na remota Rapa Nui, também conhecida como Ilha de Páscoa, o Nayara Hangaroa utiliza a arquitetura e a paisagem para criar duas experiências distintas. O Kaloa Lounge tem como principal atração a vista aberta para o Oceano Pacífico. Ao entardecer, o horizonte se transforma no centro das atenções, enquanto os hóspedes acompanham o pôr do sol com um drinque. Já o Vaikoa Bar oferece um ambiente mais reservado. Sua arquitetura incorpora referências às antigas construções da ilha, incluindo uma cobertura vegetal inspirada em soluções tradicionais de isolamento e proteção.

Coquetelaria do Nayara Hangaroa, em, Rapa Nui (divulgação)
A identidade de Rapa Nui aparece, assim, tanto na concepção dos espaços quanto na relação com a natureza. Em um dos territórios habitados mais isolados do planeta, essa conexão tem um significado especial. Os dois bares mostram que a personalidade de um hotel pode estar menos na sofisticação de sua carta de drinques do que na capacidade de valorizar o que existe ao redor. Afinal, poucos cenários competem com o pôr do sol sobre o Pacífico.
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